CEO

Dr. Antenor Isaias de Andrade

BIOGRAFIA

Antenor Isaias de Andrade, filho de João Isaias de Maria e de Rosa Maria dos Prazeres nasceu em 31 de março do ano de 1906, no sítio Muricituba da Vila de São Benedito. Foi o sétimo dos doze irmãos.

Aprendeu as primeiras letras na sala de aula multiseriada da professora Francisquinha. O primário cursou na Escola Mista da Vila de São Benedito. Aconselhado pelo juiz de paz, não togado, Dr. Bairon seguiu para Recife, ingressando na Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, como aluno do curso de Odontologia, vindo a se formar como cirurgião-dentista.

Na tenra idade de oito anos perdeu seu pai vítima de uma queda de cavalo e foi sua mãe, dona Rosinha, a maior incentivadora para a concretização desse ideal.

A caminhada foi árdua já que na época, obrigatoriamente, tinha-se que adequar à vida todas as dificuldades. Imaginemos então as tantas as quais teve que conviver provenientes, principalmente, da distância.

O jovem estudante seguiu com determinação e ao longo da jornada foi colhendo sabedoria, compreendendo e ajudando o próximo, praticando amor à vida, enriquecendo o perfil do seu ser com as mais diversas e boas qualidades. Era autêntico, honesto e generoso.

Retornou a terra natal trazendo na bagagem o título de doutor para orgulho da família e dos conterrâneos, afinal pouquíssimos eram os que conseguiam tal façanha. Sua intenção era morar no Rio de Janeiro e até convite recebera de um amigo para exercer a profissão no exército dessa “cidade maravilhosa” que lhe garantia uma promissora ascensão profissional, mas foi assentar os pés no chão e os olhos no verde ostensivo da esbelta e encantadora Serra Grande para o coração pulsar alegremente. Percebeu que lá estava guardado seu destino e era exatamente na Ibiapaba que desejava ficar, portanto, bastou o primeiro convite, para trabalhar em Ubajara e esquecer, definitivamente a idéia inicial.

Lendo uma das muitas frases filosóficas de Filgueiras Lima acreditamos que o grande mestre a criou baseado no perfil de nosso pai, Dr. Antenor. Disse ele: “O segredo da felicidade é amar o dever e fazer dele um prazer”.

Não apenas nós familiares, mas qualquer ubajarense testemunhou o amor dedicado as funções relativas à sua profissão através do atendimento a legião de clientes Ibiapabanos. Recebia – os no seu consultório particular e no posto de saúde público mantido pelo Estado e INSS. Três expedientes no total. – Ah! Às vezes quatro. ­Recordamos que o procuravam de madrugada e ele saia de moto, de jipe, para fazer atendimento nas mais diferentes localidades. Na maioria das vezes eram pessoas que tinham sido atendidas por práticos da profissão e se encontravam em estado grave de hemorragia. Fazia a sutura em ambientes iluminados, precariamente, à luz de lamparina – Quantas vidas salvou!

Desprendido de valores materiais, mantinha consigo uma bandeira cujo lema era a ética. Quem não lembra sua pessoa, vestida de branco, atravessar a cidade levando a maleta preta com os instrumentos? Foram anos, décadas a fio, sem férias, sem receber benefícios extras, ou condecorações de honra ao mérito… Quase dobrou o tempo de serviço necessário à aposentadoria. O ponto final da longa jornada só se permitiu aos oitenta e três anos.

Adotou Ubajara como o coração da pátria. Casou-se com Sensata Ivonete Cavalcante de Andrade, filha de Sensata Furtado Cavalcante e do piauiense Francisco Cavalcante de Paula, há tempos erradicado na região desde quando povoado do Jacaré. Foi um dos que mais colaboraram pela municipalização de Ubajara e o único a receber título de patente nessa cidade: Coronel Cavalcante.

Dessa união teve seis filhos, todos nesse berço nascidos. Como pai foi carinhoso, dedicado e amigo; como esposo, responsável, presente, amoroso; como genro foi além, era filho preocupado, um colaborador de todas as horas; para os cunhados um irmão, o maior anjo e para os conterrâneos um homem sério, de caráter, um amigo. Sua partida ocorreu no dia 02 de dezembro de 2006 quando faltava pouco menos de três meses para a celebração do centenário de vida. Nos deixou com a tranquilidade concedida por Deus aos bem aventurados, sem dor e muita conformação. Ficou a saudade da sua maneira de ser, do seu exemplo de vida, da felicidade estampada numa risada quando se via cercado pelos filhos.

“Os dons devem ser revelados e trabalhados; jamais encerrados no túmulo.”

Portanto, a iniciativa de homenagear nosso pai, Dr. Antenor Isaias de Andrade, atribuindo seu nome a um posto de saúde odontológico é o reconhecimento público de seu talento profissional que, merecidamente, se perpetuará pelo exemplo a todas as gerações vindouras.

Em nome da família Cavalcante de Andrade, nós, seus filhos Clara Leda de Andrade Ferreira, Rosa Maria Cavalcante de Andrade, Paulo César Cavalcante de Andrade, Márcia Maria Andrade Costa, Ana Patrícia Cavalcante de Andrade e Ana Cláudia Cavalcante de Andrade, expressamos nossos agradecimentos.

Autora: Clara Leda de Andrade Ferreira Fortaleza, 18 de fevereiro de 2008.